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Gônadas

A reposição de testosterona não reduz o risco de diabetes

Escrito por Erik Trovao

Mais um braço do TRAVERSE trial, estudo que deu o que falar em 2023, foi publicado agora em fevereiro de 2024. Desta vez o objetivo foi avaliar se a terapia de reposição de testosterona (TRT) seria capaz de reduzir a progressão para diabetes entre os homens que apresentavam pré-diabetes no início do estudo. O desfecho secundário foi avaliar se, naqueles já com diabetes, a TRT induziria remissão da doença.

A avaliação desta hipótese encontra sentido no fato de o hipogonadismo masculino estar associado ao aumento do risco de pré-diabetes e diabetes. Uma possível explicação para isso, seria o acúmulo de gordura visceral, a perda de massa muscular e o consequente aumento da resistência à insulina que ocorre frente à deficiência de testosterona.

Ao mesmo tempo, a reposição de testosterona em homens com hipogonadismo parece melhorar a distribuição de tecido adiposo e muscular, o que, talvez, possa ter um impacto positivo sobre a progressão de diabetes. No entanto, não havia ensaio clínico randomizado que comprovasse esta hipótese até o momento.

Dos 5204 participantes do TRAVERSE trial, 1175 tinham o diagnóstico de pré-diabetes e 3880 apresentavam diabetes. Todos foram randomizados para uso de testosterona transdérmica em gel versus placebo. Aqueles com pré-diabetes foram avaliados para progressão para diabetes, o que foi definido como: nível de hemoglobina glicada (HbA1c) de 6,5 ou mais, duas glicemias de jejum acima de 125 ou início de medicação anti-diabética.

Já o desfecho secundário, remissão do diabetes, foi definido como HbA1c < 6,5 ou 2 glicemias de jejum < 126 na ausência de medicação anti-diabética.

Infelizmente, após 48 meses de seguimento, os resultados não foram satisfatórios. Em relação ao desfecho primário, não houve diferença significativa entre os dois grupos. Ao final do estudo, a proporção de pacientes que evoluiu para diabetes foi de 13,4% no grupo da TRT e de 15,7% no grupo placebo, sem diferença estatística entre os dois grupos (p: 0,49). Também não houve diferença em relação ao desfecho secundário.

Esses resultados, portanto, nos apontam que não devemos iniciar terapia de reposição de testosterona com o objetivo nem de prevenir diabetes nem de melhorar o controle glicêmico em pacientes com a doença.



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Sobre o autor

Erik Trovao

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