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Resmetirom: um agonista de hormônio tireoidiano no tratamento da MASH.

Escrito por Luciano Albuquerque

Esteatohepatite não alcoólica (NASH), recentemente renomeada como esteatohepatite associada a disfunção metabólica (MASH), é uma doença hepática progressiva caracterizada pela presença de 5% ou mais de infiltração gordurosa no fígado (esteatose hepática) somada a dano hepatocelular e inflamação. A MASH pode progredir com fibrose clinicamente significativa (estágios F2 e F3), particularmente entre pacientes com diabetes tipo 2, aumentando significativamente o risco de eventos clínicos adversos.

Atualmente, não há nenhum medicamento aprovado para tratamento da MASH. Neste contexto, o FDA americano propos um processo acelerado de aprovação que permite estudos baseados na melhora de qualquer um dos dois desfechos histológicos (melhora na fibrose hepática ou resolução da inflamação), considerando a associação destes marcadores com os desfechos clínicos específicos (morte por qualquer causa, transplante hepático ou eventos de descompensação hepática).

Com base nessa proposta, temos os resultados do estudo MAESTRO-NASH, recém-publicado no NEJM, avaliando o benefício do Resmetirom no tratamento de pacientes com MASH. Trata-se de um agonista seletivo do receptor de hormônio tireoidiano tipo b (THR-b). Na MASH, a função do THR-b no fígado está comprometida, o que leva a redução na função mitocondrial e da b oxidação de ácidos graxos, em associação com um aumento na fibrose. trata-se de um estudo fase 3, duplo cego, randomizado, controlado por placebo, que avaliou o benefício do Resmetiron, acompanhando 966 pacientes com MASH, comprovada por biópsia ou elastografia, por um período de 52 semanas.

Os desfechos primários foram resolução da MASH, avaliada por escore histológico, sem piora da fibrose e uma redução de pelo menos 1 estágio na classificação de fibrose, sem piora no escore de inflamação. O Resmetirom levou a resolução da MASH em 30% dos pacientes contra 9,7% no grupo placebo (p<0,001). Também foi observada melhora da fibrose em 26% no grupo resmetirom contra 14% no grupo placebo. Diarreia e náusea foram os eventos adversos mais frequentes, porém não foram observadas diferenças na incidência de eventos adversos importantes (com necessidade de intervenção médica), que atingiram cerca de 12% dos participantes do estudo. O uso do resmetirom não foi associado a taquiarritmias, perda de massa óssea ou perda de peso, ratificando sua seletividade.

Somados aos estudos anteriores, os dados apresentados corroboram a eficácia e a segurança do uso do Resmetirom no tratamento da MASH, abrindo perspectivas para uma inédita aprovação de um medicamento para a condição. Vamos ficar de olho!



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Sobre o autor

Luciano Albuquerque

Preceptor da residência em Endocrinologia do HC-UFPE e da residência em Clínica Média do Hospital Otávio de Freitas. Presidente da SBEM regional Pernambuco no biênio 2019-2020.

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