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Rosuvastatina vs Atorvastatina: quem está associada a maior risco de diabetes mellitus?

Escrito por Ícaro Sampaio

O benefício das estatinas na redução de eventos cardiovasculares ateroscleróticos é claro e inquestionável. Mas, um pequeno aumento do risco de diabetes mellitus associado ao uso desses agentes hipolipemiantes costuma gerar muitas dúvidas entre os pacientes e até mesmo entre colegas médicos das mais diversas especialidades.

 

Muito citado quando o assunto é “estatina e risco de diabetes”, o ensaio JUPITER incluiu 17.802 adultos sem diagnóstico clínico prévio de doença cardiovascular (CV) ou diabetes que foram aleatoriamente designados para receber 20 mg/dia de rosuvastatina ou placebo. O estudo foi interrompido precocemente, após um acompanhamento médio de 1,9 anos, devido a uma redução altamente significativa de 44% no desfecho composto de evento CV primário (infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, internação hospitalar por angina instável, revascularização arterial ou morte CV) no grupo que recebeu rosuvastatina. No entanto, um nível médio de hemoglobina glicada pequeno, mas significativamente maior, foi observado no grupo rosuvastatina (5,9%) em comparação ao grupo placebo (5,8%) (p= 0,001). Além disso, casos  de DM2 de início recente foram significativamente (p = 0,01) mais comuns com tratamento com rosuvastatina.

 

Em uma análise de follow-up, os participantes foram estratificados com base em nenhum ou pelo menos um dos quatro principais fatores de risco para o desenvolvimento de DM2, incluindo síndrome metabólica, glicemia de jejum alterada (100-125 mg/dl), índice de massa corporal (IMC) 30 kg/m2 ou superior, ou HbA1C superior a 6%. Em pacientes com um ou mais fatores de risco para diabetes  (n = 11.508), o tratamento com estatinas foi associado a um aumento de 28% no início de DM2, mas não houve risco excessivo naqueles sem um fator de risco importante.

 

Metanálises subsequentes dos resultados de outros ensaios clínicos de prevenção primária e secundária com várias estatinas e dosagens confirmaram a presença de algum risco excessivo de DM2 com o uso de estatinas, e que a terapia mais intensiva com estatinas está associada a maior risco do que a terapia menos intensiva. O estudo mais recente nesta área é uma análise do ensaio clínico randomizado LODESTAR de 4.400 pacientes com doença arterial coronariana em 12 hospitais na Coreia e compara os riscos associados às estatinas individuais.

 

O ensaio LODESTAR, prospectivo, multicêntrico, aberto, avaliou a estratégia de intensidade de estatina e o tipo de estatina para o tratamento da dislipidemia em adultos (idade ≥19 anos) com doença arterial coronariana. Entre setembro de 2016 e novembro de 2019, 4.400 adultos com doença arterial coronariana foram randomizados para receber rosuvastatina (n=2.204) ou atorvastatina (n=2.196). Mais participantes no grupo da rosuvastatina do que no grupo da atorvastatina desenvolveram diabetes mellitus  (7,1% v 5,5%;  p = 0,04). 

 

Algumas limitações do LODESTAR devem ser mencionadas, como o fato de que apenas participantes asiáticos foram incluídos no ensaio. Além disso, o período do estudo foi de três anos, o que pode ter sido relativamente curto para encontrar efeitos a longo prazo. Portanto, os achados devem ser interpretados com cautela.



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Sobre o autor

Ícaro Sampaio

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Editor Endocrinopapers
Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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