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Escore de cálcio na avaliação do risco de eventos coronarianos: quando pedir, como interpretar?

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Escrito por Luciano Albuquerque

O cálcio arterial coronariano (CAC) apresenta alta especifidade na predição da presença de placa aterosclerótica. O escore de cálcio (CACS) se firmou como método complementar consistente e reprodutível na avaliação do risco de eventos coronarianos futuros. Nesse contexto, a adição desse exame tem figurado como a alternativa mais eficiente e custo-efetiva na atualidade para estimar o risco de DAC, principalmente na prevenção primária em pacientes com risco intermediário, com impacto positivo na adesão ao tratamento.

Um dos principais responsáveis pelas evidências cientificas do método foi o Estudo Multi-Étnico da Aterosclerose (MESA), no qual o CACS foi incorporado a um modelo clínico usando dados de acompanhamento em 10 anos até a primeira manifestação clínica de DAC. Nesse estudo, pacientes com um risco estimatido de ASCVD de 5 a 7,5% em 10 anos (borderline), um CACS = 0 foi associado a uma taxa ASCVD observada de 1,5%, enquanto qualquer escore de cálcio > 0 foi associado a uma taxa real de eventos de pelo menos 7,5% (risco intermediário), podendo indicar início de tratamento farmacológico com estatinas. Já em indivíduos com um risco ASCVD de 7,5 a 20% (intermediário), um CACS = 0 foi associado a uma taxa de eventos de cerca de 4,5% (baixo risco), podendo ser postergado o início da terapia farmacológica.

Em indivíduos diabéticos, a doença vascular e sobretudo a doença coronária se iniciam muito antes de seu diagnóstico. Entretanto, as estratégias para mapear a progressão da doença vascular em estágios mais precoces ainda são limitadas, com poucas ferramentas viáveis na prática clínica. O CACS pode representar uma forma de identificar indivíduos diabéticos com maior carga aterosclerótica, funcionando como estratificador de risco cardiovascular, indicando uso de terapias mais potentes e metas mais agressivas. Nessa população, o CACS representa o exame de escolha na avaliação de doença aterosclerótica subclínica.

Trata-se de um exame relativamente simples, empregando a tomografia computadorizada, sem necessidade de uso de contraste. Como descrito anteriormente, um CACS = 0 indica baixo risco de eventos cardiovasculares. Qualquer valor de CACS indica presença de doença aterosclerótica, entretanto são admitidos pontos de corte a partir dos quais se encontra maior benefício no tratamento farmacológico. Os números utilizados são 10 para diabéticos e 100 para não diabéticos. Indivíduos de baixo risco tem baixa probabilidade pré-teste de doença aterosclerótica. Do mesmo modo, indivíduos classificados como de alto risco devem ser tratados independente dos resultados deste exame.



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Sobre o autor

Luciano Albuquerque

Preceptor da residência em Endocrinologia do HC-UFPE e da residência em Clínica Média do Hospital Otávio de Freitas. Presidente da SBEM regional Pernambuco no biênio 2019-2020.

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