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Obesidade

Cirurgia bariátrica reduz o uso de medicamentos a longo prazo ?

Escrito por Ícaro Sampaio

A cirurgia bariátrica diminui a prevalência de doenças relacionadas à obesidade, contribuindo para uma maior expectativa de vida. No entanto, não está claro como a cirurgia bariátrica influencia o uso de medicamentos a longo prazo para doenças relacionadas à obesidade, como dislipidemia, doenças cardiovasculares e diabetes mellitus (DM). Até recentemente, nenhum estudo havia avaliado o uso de medicamentos além de 8 anos após a cirurgia bariátrica.

Neste mês de maio, foi publicado no JAMA Surgery um estudo de coorte de base populacional cujo objetivo foi avaliar o uso a longo prazo de medicamentos para tratamento de dislipidemia, doenças cardiovasculares (anti-hipertensivos, diuréticos, betabloqueadores, antiarrítminos…) e DM, em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica em comparação com pacientes que não se submeteram a procedimentos bariátricos. O estudo incluiu 26.396 pacientes submetidos à cirurgia bariátrica (com bypass gástrico ou gastrectomia vertical) e 5 vezes mais (n = 131.980) pacientes de controle pareados, portadores de obesidade mórbida tratados sem cirurgia. Vejamos os resultados por classe de medicamentos:

Terapia hipolipemiante 

No início do estudo, 20,3% dos pacientes de cirurgia bariátrica usavam medicamentos hipolipemiantes. Essa proporção caiu para 12,9% 2 anos após a cirurgia. Posteriormente, a proporção aumentou para 14,1%  após 5 anos e 17,6% após 15 anos. No grupo sem cirurgia, a proporção de usuários de drogas hipolipemiantes aumentou continuamente ao longo do tempo de 21%  no início do estudo para 44,6%  após 15 anos de seguimento. A diferença comparando cirurgia bariátrica com nenhuma cirurgia foi de -15,9% em 2 anos, -20,0% aos 5 anos e −26,4% aos 15 anos.

Agentes para tratamento de doenças cardiovasculares

No início do estudo, 60,2% dos pacientes de cirurgia bariátrica usavam medicação cardiovascular. O uso diminuiu para 43,2% após 2 anos e aumentou para 47,1%  após 5 anos e aumentou ainda mais para 74,6% após 15 anos  em comparação com a linha de base. No grupo sem cirurgia, a proporção de usuários de medicação cardiovascular aumentou durante o acompanhamento de 54,4% no início do estudo para 83,3% após 15 anos em comparação com a linha de base. A diferença comparando a cirurgia bariátrica com nenhuma cirurgia foi de -27,2%  em 2 anos, -28,0%  aos 5 anos e -14,6% aos 15 anos.

Fármacos hipoglicemiantes

No início do estudo, 27,7% dos pacientes de cirurgia bariátrica usavam medicação antidiabética. A proporção de usuários diminuiu para 10,0% 2 anos após a cirurgia, mas aumentou para 13,1%  após 5 anos em comparação com a linha de base e 23,5%  após 15 anos de acompanhamento. No grupo sem cirurgia, o uso de medicação antidiabética aumentou ao longo do acompanhamento, de 27,7%  para 54,2% após 15 anos. A diferença nas diferenças na medicação antidiabética comparando cirurgia bariátrica com nenhuma cirurgia foi de -30,8% aos 15 anos.

O uso de medicamentos  foi acentuadamente reduzido durante os primeiros anos de acompanhamento após a cirurgia bariátrica em comparação com a linha de base. No entanto, um aumento lento no uso dos fármacos foi observado ao longo do tempo, excedendo os níveis basais para hipolipemiantes e medicamentos cardiovasculares após longo acompanhamento, enquanto a medicação antidiabética de foi persistentemente inferior à linha de base. Essas alterações podem estar relacionadas ao envelhecimento e reganho de peso ao longo do tempo, fenômeno causado por fatores hormonais, dietéticos, físicos e comportamentais.

 



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Sobre o autor

Ícaro Sampaio

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Editor Endocrinopapers
Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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