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Obesidade

Combate à obesidade: além do tratamento medicamentoso.

Escrito por Luciano Albuquerque

obesidade é, atualmente, uma doença crônica altamente prevalente no mundo todo, com expressivo impacto negativo sobre a morbimortalidade da população mundial. Estudo publicado pela World Obesity Federation, mais da metade da população mundial terá sobrepeso ou obesidade no ano de 2035Considerando apenas os indivíduos com obesidade, a prevalência será de 24% (quase ¼ da população mundial). O que chama atenção é que de acordo com os dados da pesquisa Vigitel, esses números já foram atingidos no Brasil desde 2019. Nesse cenário, discutir possíveis abordagens para combate à obesidade é fundamental.

O tratamento da obesidade é baseado em modificações do estilo de vida, baseados principalmente em ajuste dietético com restrição calórica e atividade física. A pertir da falha nessas medidas, fica indicado o tratamento farmacológico. Nos últimos anos, temos presenciado o surgimento de novos e mais potentes agentes.

A semaglutida, um agonista do GLP-1, foi aprovada pela ANVISA no início de 2023 para tratamento da obesidade. Apesar da apresentação destinada para esse fim (Wegovy) ainda não estar disponível no Brasil, o Ozempic, marca comercial da semaglutida para tratamento do diabetes, foi o medicamento de maior faturamento no Brasil, sendo responsável por um faturamento de 3,7 bilhões de reais nesse período. A tirzepatida, um agonista duplo GLP-1/GIP, já foi aprovada para o tratamento da diabetes pela ANVISA, tem resultados ainda mais animadores na perda de peso e aguarda liberação para essa indicação. Durante o congresso da ADA em 2023 vimos a publicação dos resultados da Retatrutida, um agonista triplo GLP1/GIP/Glucagon ultrapassando a marca de 25% de redução de peso corporal.

Apesar dos números animadores, muitos autores ainda pregam cautela. Com o aumento do número de pacientes em todo o mundo e o maior tempo de uso da medicação, relatos de eventos adversos mais graves têm surgido, gerando preocupação na classe médica. Publicação do JAMA alertou para risco de pancreatite, gastroparesia e obstrução intestinal. Relatos de casos de depressão e suicídio também já estiveram em destaque. Dados sobre a segurança de longo prazo desses agentes ainda são escassos, sendo essenciais estudos de vigilância a longo prazo sobre os riscos e benefícios do tratamento em diferentes grupos de pacientes.

O tratamento medicamentoso ajudará, sem dúvida, grande parte dos pacientes, mas não pode ser a única ferramenta. A obesidade é um produto complexo da interação entre genética e comportamento de um indivíduo, mas também da própria sociedade, influenciada pelos mercados alimentares globais e seus acordos comerciais.

São necessárias múltiplas abordagens para reduzir os efeitos do ambiente obesogênico. A atividade física precisa aumentar; caminhar e andar de bicicleta nas deslocações para o trabalho ou para a escola devem ser normalizados e tornados mais fáceis e seguros. É necessário implementar impostos sobre o açúcar e restrições à comercialização de alimentos ultraprocessados, com elevado teor energético e elevado teor de gordura. A prevenção deve ser sempre o primeiro passo.



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Sobre o autor

Luciano Albuquerque

Preceptor da residência em Endocrinologia do HC-UFPE e da residência em Clínica Média do Hospital Otávio de Freitas. Presidente da SBEM regional Pernambuco no biênio 2019-2020.

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