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Manchetes Obesidade

Tratamento do reganho de peso após bariátrica: semaglutida vs liraglutida

obesidade
Escrito por Ícaro Sampaio

A cirurgia bariátrica é uma ferramenta poderosa para controle de peso e tratamento de comorbidades relacionadas à obesidade. À medida que a prevalência de obesidade e suas comorbidades, como diabetes mellitus tipo 2, continua a aumentar, também aumenta o número de procedimentos bariátricos. A média de perda de peso desde o início até 2 a 3 anos após a cirurgia é de aproximadamente 21,1% para gastrectomia vertical e 24,5% para bypass gástrico em Y de Roux. No entanto, o reganho de peso ocorre frequentemente alguns anos após a cirurgia bariátrica e está frequentemente associado à recorrência de complicações metabólicas.

Estudos prévios sugerem que  regimes com agonistas do receptor de GLP1 (GLP-1 RA) são mais eficazes para tratar a recuperação de peso pós-bariátrica quando comparados a outras terapias farmacológicas. Atualmente, dois GLP-1 RA possuem aprovação para tratamento da obesidade: liraglutida e semaglutida. Apesar de já haver sido demonstrada a superioridade de semaglutida 2,4 mg semanalmente sobre liraglutida 3,0 mg diariamente para perda de peso em pessoas com obesidade nenhum estudo, até onde sabemos, examinou o uso de semaglutida para recorrência de peso após cirurgia bariátrica. 

Recentemente foi publicado no periódico Obesity, uma análise retrospectiva com 207 adultos que apresentaram recorrência de peso pós-bariátrica tratados com semaglutida 1,0 mg semanalmente (n = 115) ou liraglutida 3,0 mg diariamente (n = 92) entre janeiro de 2015 e abril de 2021. O desfecho primário foi a variação percentual do peso corporal aos 12 meses de tratamento.Todos os pacientes tinham indicação formal para tratamento anti-obesidade, incluindo índice de massa corporal (IMC) ≥ 30 kg/m2 ou ≥27 kg/m2 com comorbidade relacionada à obesidade.

Com relação aos resultados da análise, observou-se:

  • A variação média de peso até o décimo segundo mês foi de – 12,92% no grupo de semaglutida 1 mg e – 8,77% no grupo de liraglutida 3 mg, com uma diferença  média entre os grupos 4,15% (IC 95%: 5,85% a 2,44%; p < 0,001);
  • Durante o período de tratamento de 12 meses, 77,4% (n = 89) dos pacientes no grupo de semaglutida (N = 115) atingiram ≥5% de perda de peso versus 67,4% (n = 62) no grupo de liraglutida  (N = 92);
  • A proporção de pessoas que atingiram ≥10%, ≥15% e ≥20% de perda de peso em cada grupo foi de 50,4% (n = 58), 27,8% (n = 32) e 12,2% (n = 14) versus 32,6% (n = 30), 15,2% (n = 14) e 5,4% (n = 5) nos grupos tratados com semaglutida e liraglutida, respectivamente.

O estudo possui importantes limitações, sendo a principal delas o fato de tratar-se de uma análise retrospectiva, o que não permite avaliar a adesão à medicação, esquema de titulação, efeitos colaterais e motivos para descontinuação. Apesar disso, nos deixa otimistas quanto ao benefício da semaglutida também nesse perfil de pacientes. Estudos prospectivos randomizados são necessários para identificar estratégias de tratamento ideais para otimizar o peso corporal e tratar a recorrência de peso após a cirurgia bariátrica.

 

Referência:

Murvelashvili N, Xie L, Schellinger JN, Mathew MS, Marroquin EM, Lingvay I, Messiah SE, Almandoz JP. Effectiveness of semaglutide versus liraglutide for treating post-metabolic and bariatric surgery weight recurrence. Obesity (Silver Spring). 2023 Mar 30. doi: 10.1002/oby.23736.

 



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Sobre o autor

Ícaro Sampaio

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Editor Endocrinopapers
Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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