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Diabetes

Metformina no diabetes gestacional: novas evidências!

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Escrito por Luciano Albuquerque

O diabetes gestacional é associado a risco elevado de complicações na gravidez.  Altas taxas de parto induzido, parto cesáreo, pré-eclâmpsia e nascimento de um bebê grande para a idade gestacional são alguns dos eventos associados ao diabetes gestacional, particularmente quando o controle glicêmico não é adequado. A condição afeta de 3 a 25% das gestações, sendo a alteração metabólica mais frequente da gravidez. 

Atualmente, o diabetes gestacional é inicialmente abordado com terapia nutricional e exercícios, sendo o tratamento a farmacológico reservado para casos que não alcancem o controle glicêmico após tais medidas. 
As diretrizes atuais seguem indicando a insulina como terapia farmacológica de primeira linha no diabetes gestacional. Apesar de eficaz no controle glicêmico, a insulina está associada ao aumento das taxas de hipoglicemia materna e neonatal, ganho excessivo de peso durante a gestação, taxas mais altas de parto cesáreo e tratamento em unidade de terapia intensiva neonatal.
  Em comparação com a insulina, a metformina está associada a melhores resultados metabólicos maternos e fetais. A substância  atravessa a barreira placentária, com exposição fetal, com dados demonstrando maior frequência de parto prematuro espontâneo e de bebês pequenos para a idade gestacional. 
Tal abordagem sequencial poderia expor gestantes a período prolongado de hiperglicemia, pelo atraso do início de tratamento farmacológico, com potenciais efeitos deletérios para o binômio materno fetal. 
Nesse contexto, durante o congresso europeu de diabetes, foi apresentado o estudo EMERGE, abordando o início precoce da metformina, logo ao diagnóstico do diabetes gestacional. Foram randomizadas 510 gestantes para uso de metformina ou placebo, adicionados a terapia padrão de dieta e atividade física. 
A administração precoce de metformina não conseguiu demonstrar um benefício estatisticamente significativo para o objetivo primário  do estudo – início de insulina ou glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL nas semanas 32 ou 38 de gestação. Apesar disso, resultados secundários favoreceram o braço da metformina com maior tempo para o início da insulina, melhor controle glicêmico, menos hipoglicemias e menor ganho de peso materno. Ao mesmo tempo, não foram observados maiores eventos adversos maternos ou fetais, parto prematuro ou no tipo de parto.
Os dados apresentados podem reforçar o papel da metformina como alternativa de tratamento psegura no diabetes gestacional, além de trazer uma proposta de abordagem mais agressiva na busca do controle glicêmico. Como os benefícios foram demonstrados em resultados secundários pré-especificados, investigações adicionais em ensaios clínicos maiores são necessários. 


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Sobre o autor

Luciano Albuquerque

Preceptor da residência em Endocrinologia do HC-UFPE e da residência em Clínica Média do Hospital Otávio de Freitas. Presidente da SBEM regional Pernambuco no biênio 2019-2020.

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