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Manchetes Obesidade

Esteatohepatite com cirrose: novo estudo avalia a eficácia da semaglutida

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Escrito por Ícaro Sampaio

A abordagem de pacientes portadores de esteatohepatite (EH) não alcoólica é um grande desafio. Tais pacientes têm uma grande necessidade não atendida de farmacoterapias eficazes para melhorar a história natural da doença, incluindo o aumento do risco de morbidade e mortalidade cardiovascular. Atualmente, o tratamento de primeira linha em pacientes com EH e cirrose compensada, associadas a  sobrepeso ou obesidade envolve intervenções no estilo de vida para obter perda de peso com segurança e tratar comorbidades (diabetes mellitus tipo 2 – DM2, dislipidemia e hipertensão arterial sistêmica).

Os agonistas do receptor de GLP1 (GLP-1RA) exercem efeitos em vários órgãos e demonstraram diminuir a HbA1c em pessoas com DM2, além de promover perda de peso em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Estão também associados a um risco reduzido de eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes com alto risco cardiovascular. Em um estudo anterior controlado por placebo, publicado no New England Journal of Medicine em 2021, a semaglutida melhorou os parâmetros metabólicos e promoveu a resolução da EH pacientes sem cirrose (estágio de fibrose 1–3). Apesar disso, ainda não havia  dados com semaglutida em pacientes com cirrose relacionada à esteatohepatite.

Neste mês de março, foi publicado no The Lancet um estudo de fase 2 duplo-cego, controlado por placebo, que incluiu participantes com cirrose causada por doença hepática gordurosa metabólica (DHGM), confirmada por biópsia, que apresentassem índice de massa corporal (IMC) de pelo menos 27 kg/m2 . Os participantes foram randomizados para receber semaglutida subcutânea (2,4 mg) uma vez por semana ou placebo. O desfecho primário a ser avaliado foi a proporção de pacientes com melhora na fibrose hepática de um estágio ou mais, sem piora da EH após 48 semanas.

Não houve diferença entre semaglutida e placebo para o desfecho primário. No entanto, em comparação com o placebo, a semaglutida levou a reduções nas enzimas hepáticas e esteatose hepática (mas não rigidez). Os pacientes tratados com semaglutida perderam mais peso, apresentaram  concentrações mais baixas de triglicerídeos e colesterol VLDL, e aqueles com DM2 também tiveram reduções nos níveis de HbA1c, em comparação com o placebo. Como esperado, os principais eventos adversos foram sintomas gastrointestinais leves a moderados e transitórios.

O guideline publicado em 2022 pela American Association of Clinical Endocrinology – AACE recomenda considerar o tratamento farmacológico da obesidade (com preferência para semaglutida 2,4 mg/semana [melhor evidência] ou liraglutida 3 mg/dia), como terapia adjuvante à modificação do estilo de vida para indivíduos com obesidade e  DHGM ou esteatohepatite, para promover a saúde cardiometabólica e tratar ou prevenir DM2, DCV e outras manifestações graves associadas à obesidade.



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Sobre o autor

Ícaro Sampaio

Graduação em medicina pela Universidade Federal do Vale do São Francisco
Residência em Clínica Médica pelo Hospital Regional de Juazeiro - BA
Residência em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital das Clínicas da UFPE
Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Editor Endocrinopapers
Médico Endocrinologista no Hospital Esperança Recife e Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa

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